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A dor do Fenômeno

Qual o limite da dor? Ronaldo deve saber bem, tanto a dor do corpo quanto a da alma. Mas não saberia reconhecer qual é a pior. Os dois lhe deram ares de fenômeno, alguma coisa de super-heroi, lhe recusaram a condição de simples humano. Nos últimos tempos, cobraram o preço que ele se recusou a pagar. No fim não teve jeito, teve que acertar a conta à força. Ao contrário do que a maioria está dizendo, esta não é a primeira morte de Ronaldo, das duas inevitáveis. O Fenômeno teve tantas outras que fica até difícil de contar. As seguidas contusões e cirurgias, os conturbados episódios na vida pessoal, as noitadas, as mulheres lindas, os travestis. Ronaldo morreu muito mais que uma vez, mas soube renascer sempre. Por isso a comoção, por ser tão difícil reconhecer o homem, que sempre conseguiu se superar, desistindo. A fraqueza de Ronaldo é a nossa fraqueza, assim como suas alegrias foram as nossas também. Poucos representam tão bem o que é ser brasileiro quanto ele. Nasceu ninguém, conquistou...

R10 no horário nobre

Nem Passione nem Araguaia nem Ti ti ti. A novela que concentra as atenções do País nesse momento é a negociação de Ronaldinho Gaúcho. Ou seria Ronaldinho Carioca? Assis, irmão e empresário do jogador, prova que errar uma vez é humano, duas é teimosia e três já é burrice. Errar quatro, cinco e continuar insistindo no mesmo erro, só ele, Assis, é capaz de fazer. O irmão de Ronaldinho foi um jogador de talento mediano. Hoje é um empresário sem talento e de competência mediana. Mais atrapalha do que ajuda na carreira do irmão. Fazer o que ele fez até hoje, a frente dos negócios envolvendo Ronaldinho, qualquer um faria. Com o talento acima da média de R10 seria fácil. Se Assis fosse bom empresário não deixaria que o irmão perdesse a vontade de jogar futebol, como já vem demonstrando há tempos que perdeu. Ronaldinho não parece ver muito sentido em estar em campo, o desejo por dribles e gols já se perdeu faz tempo. Assis só fez contribuir para essa decadência. O episódio recente envolvendo a ...

As últimas regalias

2011 começou, o Brasil mudou, mas Lula continua o mesmo. Depois dos oito anos que precisou para tirar o Brasil da miséria, o messias do nordeste nos cobrou a conta. E até que ficou barato. Férias no Guarujá com toda a família, hospedado na base militar do Forte dos Andradas. Foi convite do camarada Nelson Jobim, ministro da defesa. Caso contrário, o ex-presidente nem poderia ficar hospedado lá. Jobim é mesmo um bom companheiro. E o passaporte diplomático emitido a dois filhos de Lula? Isso no seu penúltimo dia útil como presidente. Foram os camaradas do Itamaraty, afinal como negar um pedido do Jesus Cristo do ABC? O detalhe é que o documento pode ser emitido a dependentes de autoridades até os 21 anos (24, quando estudante, ou em qualquer idade quando portadores de deficiência). Luís Cláudio Lula da Silva tem 25 anos. Marcos Cláudio Lula da Silva, 39. E ambos gozam de perfeita saúde. Mas e daí? O Brasil apenas está pagando o que deve ao homem que mostrou que é possível ser pobre e viv...

A fofoca irrelevante

O ex-secretário-geral do Itamarati, Samuel Pinheiro Guimarães, odeia os americanos. Como eu sei? Li no WikiLeaks. Lula vai encerrar seus oito anos de governo deixando como principal marca a corrupção. Isso eu já sabia, mas também está lá, no WikiLeaks. Um site de fofocas diplomáticas. Fofocas relevantes, o rascunho da história. Mas ainda prefiro a Caras. O site fundado pelo australiano Julian Assange, suspeito de cometer estupro e procurado pela Interpol, está jogando contra o ventilador uma série de informações diplomáticas envolvendo os Estados Unidos, seus aliados e seus inimigos, ou seja, o mundo todo. Assange não passa de um vândalo maluco mascarado de moralista que preza o acesso à informação. Tudo fingimento, ele simplesmente odeia os Estados Unidos, assim como Samuel Pinheiro Guimarães, por mais que o ministro Celso Amorim insista em negar. Portanto, se esforça para desgastar a imagem do país norte-americano. Pra variar, Lula foi mais esperto. Disse que as informações vazadas n...

A guerra não pode parar

O Rio de Janeiro continua lindo. O Rio de Janeiro continua sendo. A guerra a que estamos assistindo há cinco dias, entre traficantes e policiais na capital fluminense, não passa de entretenimento com uma dose cruel de realidade. Pegue sua pipoca, sente no sofá e faça sua aposta. Emoção garantida do começo ao fim. BBB é passado. O governo Sérgio Cabral decidiu enfrentar e combater o tráfico de drogas e tudo o que o cerca. Inclusive os cidadãos inocentes. Mas não importa, ninguém mandou morar em favela onde quem manda é o Comando Vermelho. Se morrerem é porque estavam no lugar errado e na hora errada. Fogo neles. O saldo até agora é positivo: 23 mortos e 150 detidos. Sem falar nos carros e ônibus queimados: 29 no total. A população carioca está satisfeita com a iniciativa. Com medo, mas contente. Essa guerra é o efeito colateral do sucesso das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Sucesso sim. Digno de Capitão Nascimento. Os PMs tomaram conta de algumas favelas, diminuiram o poder do ...

O coronel de sete vidas

José Sarney é um homem de sorte. No auge de seus oitenta anos mostra que os ventos continuam soprando a seu favor. Como sempre, o coronel do Maranhão ressurgiu das cinzas e renasceu politicamente. Depois dos escândalos envolvendo seu nome no ano passado, ele agora é cotado para permanecer na presidência do Senado. O Brasil é mesmo um país sem memória. O que falar dos atos secretos, do nepotismo, do tráfico de influência? Desceram ralo abaixo, ninguém sabe, ninguém viu. Sarney é muito maior que isso tudo. É fiel a Lula. No Brasil isso basta, já que contestar o messias do sertão aqui é o oitavo pecado capital. Nesse caso, mais vale a fidelidade política do que o caráter. Ano passado, Sarney saiu pela tangente. Negou tudo a todos. Não sabia dos três mil reais de auxílio-moradia que entravam em sua conta todo mês, sendo que ele já possuia residência em Brasília, e não sabia que Epitácio Cafeteira havia empregado um neto seu. Sem falar nos seguranças do Senado contratados para cuidar de sua...

Eternamente ingratos

Nós, eleitores brasileiros, somos muito ingratos. O PT suou para se manter no poder, Lula fez o impossível para garantir que sua afilhada Dilma Rousseff o sucedesse e nós continuamos procurando sobre o que reclamar. Agora, como em 2009, criticamos o Enem. Pobre do presidente Lula e de Fernando Haddad, ministro da Educação. Haddad, coitado, teve inclusive que abrir mão da viagem para Moçambique. Trocou a companhia do presidente pelo marasmo de Brasília. Esses jovens estudantes não sabem de nada. Querem estudar, entrar na universidade, se profissionalizar e garantir um futuro. Mal sabem eles que o futuro já está garantido e tem nome e sobrenome: Dilma Rousseff. São mesmo uns insatisfeitos. Os jovens brasileiros têm interesses banais perto dos nobres objetivos do PT. Que diferença faz se as grades de respostas da prova do Enem desse ano estavam trocadas? Qual o problema da prova amarela, que tinha algumas questões repetidas e outras em branco? E se alguns enunciados estavam equivocados? O...

Paul em POA

Emocionante a passagem de Paul McCartney por Porto Alegre. O show foi de uma beleza indescritível em palavras. Vai permanecer na memória por muito tempo. Quem viu sabe.

Um país jaburu

O Brasil é um país jaburu. Lula conseguiu eleger sua afilhada Dilma Rousseff e os dois trataram logo de esclarecer que quem irá governar na prática será ela mesma, não ele. Rei morto, rei posto. Portanto, o governo terá a cara de Dilma Rousseff e o Brasil será um país jaburu. Para quem achava que Dilma só estaria segura com o sapo barbudo bufando em seu cangote, se decepcionou. Não é assim que vai funcionar. Estamos finalmente descobrindo que a presidente eleita tem opinião própria, tem pulso firme. A imagem de gerentona quem tratou de criar foi Lula,quando definiu que Dilma seria a candidata do PT à presidência. No início ninguém contestou, o Brasil não está acostumado a contestar Lula. Agora, logo nas primeiras entrevistas dela como presidente eleita, podemos ver que Lula até que tinha razão. Dilma é uma gerentona. Jaburu. Seu discurso e sua postura estão muito diferentes daqueles mostrados nos dias estressantes de campanha eleitoral. Ela está mais firme em suas palavras e se express...

No, we can't

Em 1962 os Beatles já se apresentavam com a formação que ficaria conhecida no mundo inteiro. Foi um começo modesto, construído em pubs de Liverpool, na Inglaterra. Mais tarde, a banda se transformou em uma das histórias de maior sucesso da música mundial e a adoração em torno dos quatro súditos da rainha passou a ser conhecida como Beatlemania. Em 2008 Barack Obama ainda era candidato à presidência dos Estados Unidos. Mas já arrastava multidão por onde passava, o discurso de "Yes, we can" soava como "Love me Do". O Nelson Mandela moderno parecia saber a solução de todos os problemas, prometia curar os males dos americanos como num passe de mágica. Surgiu então a Obamamania. Os Beatles se separaram em 1970. Foi um fim precoce mas que só fez aumentar a fama e a mística em torno dos quatro cavaleiros ingleses. Tanto que a Beatlemania resiste até os dias de hoje. Paul McCartney, por exemplo, se apresenta esse mês no Brasil. Ingressos esgotados e o país mobilizado pra ve...

A gincana

Votarei em Dilma Rousseff para presidente. Está decidido. Já que a campanha presidencial se tornou nos últimos dias uma verdadeira guerra, que vença o mais forte. Pouco importa programas de governo, promessas, pouco interessa o eleitor. O buraco é muito mais embaixo. Faltando poucos dias para o segundo turno, a disputa entre José Serra e Dilma Rousseff atingiu seu nível mais baixo. A violência, até então, era apenas verbal. Sobravam acusações. O dinheiro de Paulo Preto, onde foi parar? E os filhos de Erenice Guerra? Campanha baixa e suja. O que interessava era desconstruir a imagem do outro e não construir a sua própria. Nós, brasileiros, somos massa de manobra. Não contestamos, apenas seguimos o andar da carruagem. Por isso começamos a ver a briga entre os presidenciáveis como algo normal. Essa semana, no Rio de Janeiro, José Serra foi atingido na cabeça por militantes do PT. Imagens veiculadas na TV mostravam que o objeto que atingira o tucano era uma bola de papel. Serra ficou tonto...

"Afasta de mim esse cálice"

Chico Buarque já foi Julinho da Adelaide. Na noite de ontem, no Rio de Janeiro, o cantor e compositor reuniu-se com outros artistas e intelectuais para declarar apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff. Quem marcou presença foi o Chico mesmo, não o Julinho. Não resta dúvida de que Chico Buarque de Hollanda é um artista politizado. Participou da Passeata dos Cem Mil, do movimentos das Diretas Já!, escreveu inúmeras canções de protesto como poucos. Ousou na época da repressão, pós-revolução de 1964. Ficou exilado em Roma, na Itália. Sofreu com a censura. Desculpou-se pela duração daquelas temporadas. É dele o título desse texto, que dá nome a uma canção de sua autoria, "Cálice". Cálice, na verdade, quer dizer "cale-se". Saída encontrada para tentar driblar a censura. Não deu certo. Houve um episódio onde ele cantava Cálice com o seu parceiro Gilberto Gil e, mesmo usando palavras desconexas que nada tinham a ver com a letra original, tiveram seus microfones desligados. ...

A vencedora é Marina

O Brasil decidiu pelo 2º turno. Ainda bem. Assim teremos mais tempo até ficarmos reféns de Dilma Rousseff. O PT viu a campanha da afilhada de Lula perder força na reta final. Culpa dos escândalos envolvendo a afilhada de Dilma, a ex-ministra Erenice Guerra. Culpa do alto índice de abstenção de votos, principalmente na região nordeste. Culpa de Marina Silva. A candidata do PV resolveu crescer no final da campanha e estragar os planos do seu ex-partido. Agora, todos estão reféns dela. Deverão surfar em sua onda verde. Pelo último debate entre os presidenciáveis, o da TV Globo, Marina tem uma forte tendência de apoiar Dilma. A "jaguatirica" do Acre demonstrou que em seu peito ainda bate um coração petista, ao concordar em diversos momentos com a candidata do PT. Além disso, Marina também parece ter ficado magoada com José Serra, quando o tucano disse que ela e Dilma eram ministras de Lula na época do mensalão. A favor do candidato do PSDB pesa o fato de que Dilma e Marina se con...

Palhaçada

O Brasil não é exatamente um país bobo, mas seus eleitores são. Caso contrário Francisco Oliveira Silva nem ao menos seria candidato à Deputado Federal nessas eleições. Além disso, ele é indicado como o favorito dos eleitores. À propósito, Francisco Oliveira Silva é o nome verdadeiro do humorista Tiririca. Começo a achar que o Brasil é sim um país bobo. Para alguns, votar no Tiririca seria apenas uma piada. Ou uma forma de protesto. Protesto burro, diga-se de passagem. Um tiro nos próprios pés. Pode ser que o humorista, caso eleito, faça um mandato melhor que muitos outros e surpreenda o País. Não dá para saber. Afinal, nem ele faz ideia de quais atividades terá que desempenhar. Na pior das hipóteses, ele apenas alegraria um pouco mais o Congresso Nacional. O tiro nos próprios pés a que me referi é pelo seguinte. A candidatura de Tiririca não é algo tão ingênuo quanto parece. Foi planejada e minuciosamente calculada, desde 2006. A intenção do PR ao lançá-lo como candidato não é somente...

"Lula é bonito"

Lula voltou a criticar a imprensa. Ou melhor, criticou a liberdade excessiva condedida aos profissionais da imprensa. O que dá no mesmo. Afinal, imprensa e liberdade têm que andar juntas. Além disso, o presidente condenou a forma como são controlados os veículos de comunicação no Brasil. Segundo ele, poucas famílias são responsáveis por toda a mídia brasileira. Publicam o que querem. Inventam denúncias, criam escândalos e perturbam a vida de políticos. Essa imprensa é mesmo danada, Lula. Em período de eleição, o desgaste é ainda maior. Qualquer notícia pode abalar a campanha de um ou outro candidato. É preciso ficar atento. Esses jornalistas são mesmo pirados, Lula. Já falei aqui sobre aquela história do mensageiro que, diante de uma má notícia, era condenado à morte pelo Rei. Ou seja, acabando com o mensageiro, eliminava-se a notícia indesejada pelo Rei. É a filosofia de Lula. Lula é o Rei e a imprensa o mensageiro. Não é em vão que o presidente faz esse tipo de acusação. Utiliza-se d...