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Mostrando postagens de Janeiro, 2014

Escrevo, logo existo

Dia desses alguém me perguntou por que escrevo. Na hora não soube dizer e acabei dando uma resposta qualquer. Pensando um pouco mais, identifiquei a razão em uma história antiga, do tempo de escola e finalmente divulgo aqui a verdadeira resposta.

Era uma pequena cidade na região metropolitana de Curitiba, onde passei parte da infância, foi ali que se deu a primeira paixão. No colégio, durante um inverno. Olhava a menina tímida, de olhos caídos e sorriso encantador e sentia um não-sei-o-quê de faltar o ar. Paixão primeira aos nove anos. Ela oito. O olhar distante era o único contato. Quando, no recreio, mirava por mais de cinco segundos seguidos, sem pestanejar, tomava ares de homem. Andava com o peito estufado e engrossava a voz. Perto dela, a voz não engrossava. Sequer saia. Ainda faltava.

Na ausência da voz, a escrita era a única opção. Ela tinha que saber, mas contar com os olhos nos olhos não parecia possível nem mesmo em sonho. Foi quando começou, com as mãos vacilantes, a escrev…

De que lado está o crime?

Campinas, julho de 2013. Durante um show de Funk, ouvem-se três disparos de arma de fogo. Um deles acerta em cheio o jovem Daniel Pedreira Senna Pellegrine, paulistano de vinte e um anos, que teve o peito atingido e a voz calada à força. O crime assemelha-se a vários outros sobre os quais ouvimos falar o tempo inteiro. Esse, porém, levou pouco tempo para ganhar as manchetes dos principais jornais do País. Apesar de Daniel ter tido o mesmo destino cruel de outros tantos jovens brasileiros, a notícia nos arrancou do sofá e chocou muito mais que as outras. Daniel era o nome que constava na certidão de nascimento do jovem morto, mas era usado apenas por familiares e amigos mais íntimos. Para a imensa maioria, Daniel era conhecido de outra forma: como MC Daleste.

MC Daleste era um dos representantes do chamado Funk Ostentação, uma releitura paulista do funk carioca. Nas letras do gênero, valoriza-se o dinheiro, as roupas de grife, os carros importados, as bebidas caras e as mulheres. Nos …