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A prisão como pretexto


Euna Lee e Laura Ling não passarão 12 anos de trabalhos forçados na Coreia do Norte. Para quem não sabe, trata-se de duas jornalistas americanas condenadas sob a acusação de entrar ilegalmente em território norte-coreano.
As jornalistas da Current TV, que tem entre seus proprietário o ex-vice-presidente Al Gore, faziam uma reportagem na fronteira entre a China e a Coreia do Norte quando foram capturadas e, mais tarde, condenadas.
A prisão, porém, foi feita sob uma nuvem de mistérios. Não se sabe se elas realmente invadiram a Coreia do Norte ou se foram presas em território chinês.

A condenação prevê 12 anos em campos de trabalhos forçados, de onde é difícil sair vivo. Prisioneiros passam por situações de humilhação, como ter que ficar nu em público ou confinados por semanas em pequenas celas onde não podem ficar em pé nem deitar por completo. Outros tipos de torturas são comuns nesses campos: o prisioneiro pode ser forçado a ajoelhar-se ou sentar-se sem poder se mover por longos períodos, ficar pendurado pelos pulsos ou ainda ser vítima de espancamentos, estupros e abortos forçados.

Embora já estejam sofrendo nas mãos da nação comunista, as jornalistas estão sendo usadas apenas como manobra pelo governo de Kim Jong-il. O objetivo do maluco atômico é claramente provocar os EUA e, se possível, usar a prisão das jornalistas como pretexto para criar um diálogo.
Por isso se torna improvável que elas cumpram a pena integralmente, o que deve acontecer é um acordo entre os dois países.

Com declarações de preocupação da secretária de Estados dos EUA, Hillary Clinton e do presidente americano Barack Obama, o pigmeu de Pyongyang tem agora claramente uma arma nas mãos. Os EUA deve fazer de tudo para assegurar a libertação das jornalistas e, para isso, vai ter de se submeter à vontade de Kim Jong-il.

A prisão de Euna Lee e Laura Ling e a pena de 12 anos não siginificam muita coisa, a questão é puramente diplomática.

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