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O reencontro

Lula subiu ao palanque novamente ontem, em Alagoas. Não deixou de defender a candidata à presidência em 2010, Dilma Rousseff, mas tentou fazer isso com discrição. Não conseguiu. Lembrou que a legislação eleitoral não permite campanha antecipada e afirmou apenas que defenderá e ajudará a eleger sua sucessora. Completou com um irônico "ou sucessor".

Desde que determinou a escolha da mãe do PAC como candidata do PT para as eleições do ano que vem, Lula não desceu do palanque. Em todo canto escondido do Brasil, em todo discurso, o presidente encontra uma oportunidade de mencionar a companheira Dilma. É preciso que se crie uma disciplina quanto às campanhas eleitorais antecipadas, do contrário Lula continuará dando o seu jeitinho.
O curioso da ida do presidente a Alagoas foi o reencontro com o senador Fernando Collor (PTB-AL). De antigos adversários, os dois quase passaram a melhores amigos. Lula se desmanchou em elogios ao ex-presidente e agradeceu o apoio que ele e Renan Calheiros estão dando ao governo no Congresso. Lula ainda fez comparações entre ele e seu ex-adversário.
Com a ânsia de garantir Dilma como sua sucessora, o presidente tem se obrigado a engolir um sapo atrás do outro. Está sendo assim com Sarney e foi assim com Fernando Collor ontem. O problema é o desgaste que essa forçada de barra pode causar. O apoio incondicional ao presidente do Senado já causou constrangimento, mas Lula parece não se importar.

Em Alagoas, o presidente foi inaugurar a Adutora Helenildo Ribeiro. Obra que faz parte do PAC. Deixou claro desde o início que o objetivo da visita não era buscar votos. Mas deu o seu jeitinho. Collor, mesmo sem falar, também encontrou uma maneira de ser destaque para o povo do seu estado. Entre as pessoas que acompanhavam o ato, um jornalista distribuía a Tribuna Popular com uma foto enorme e a manchete: "Presidente Lula da Silva apoia Collor de Mello para o governo de Alagoas".

Realmente os dois são mais parecidos agora do que podíamos imaginar vinte anos atrás.

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