Pular para o conteúdo principal

Teoria da Conspiração


O jogo do Inter na quinta-feira, pela Libertadores da América, não é mais às 21h15. O colorado entra em campo para enfrentar o argentino Estudiantes às 20h15, por recomendação da Conmebol.

O que significa?

Significa que o time de Jorge Fossati precisa mudar de atitude antes disso. Caso não queira ficar para trás ainda nas quartas de final daquele que é seu principal objetivo no ano: o título da Libertadores da América. O Beira-Rio tem sido palco de inúmeros desentendimentos, principalmente entre imprensa e comissão técnica.

Relembro os dois últimos.

Antes do jogo contra o Banfield, pelas oitavas de final da Libertadores, Leandro Behs, da Zero Hora, publicou uma entrevista na qual o preparador físico do Internacional, Alejandro Valenzuela, concedia uma espécie de desabafo. Contava que o desgaste físico dos jogadores colorados tinha explicação, já que alguns mal entendiam o que ele dizia e outros até entendiam, mas faziam corpo mole. Mais tarde, em uma entrevista coletiva, Valenzuela negou ter dito cada palavra que fora publicada.

O Inter foi além. O seu vice-presidente de futebol, Fernando Carvalho, acusou Behs de oportunismo. Disse que não era a primeira vez que em uma véspera de decisão para o colorado, a imprensa publicava algo afim de abalar a estrutura do time. E citou o episódio do zagueiro Índio. Para ele, o acidente envolvendo o jogador colorado também havia sido "conspiração".

No fim, o Inter acabou eliminando o Banfield, vencendo por 2 a 0 no Beira-Rio. Caso fosse eliminado, a desculpa já estava na ponta da língua.

O episódio mais recente de desgaste entre profissionais do Beira-Rio e jornalistas foi na entrevista coletiva de ontem, após a derrota para o Cruzeiro, na estreia do Brasileirão. Jorge Fossati responsabilizou a arbitragem pela derrota. E mais. Disse ter ficado contente com a atuação de seu time e que todo o Inter estava de parabéns.

Um repórter corajoso da Rádio Bandeirantes resolveu questionar. Disse que o Inter costumava justificar as derrotas com os erros dos árbitros. Mas que, quando era o próprio Inter quem saía de campo favorecido pelo apito, ninguém mencionava nada. Nesses casos, sempre era o Inter o merecedor do bom resultado.

Como era de se esperar, Fossati não gostou da pergunta. Começou aí o desentendimento.

O mais grave foi o que aconteceu depois. Ao encerrar a entrevista e deixar a sala de imprensa do estádio Beira-Rio, Jorge Fossati convidou gentilmente o repórter para "conversarem" do lado de fora. Quem estava presente, afirmou que o treinador colorado precisou ser contido por funcionários do clube.

Nesse caso não há lado menos culpado. Tanto treinador quanto repórter foram ingênuos em suas atitudes. O lado mais grave é o já mencionado no texto. O Inter está achando que existe uma conspiração contra ele. Os árbitros estão contra, a imprensa está contra, o mundo todo está contra. Por isso as derrotas, por isso as más atuações.

É como uma carta branca para o erro.

Para alguns, o acontecimento de ontem já é passado. Hoje, jornalista e treinador já fizeram as pazes, já apertaram as mãos e tudo voltou ao normal. Ou quase.

Mas ainda é preciso ficar atento.

Comentários

mais vistos

Saí do Brasil. E morri.

Estou morando no Canadá há quase um mês. Minha esposa foi aprovada em uma seleção para fazer seu doutorado na cidade de Calgary, a terceira maior do país, e resolvemos vir assim, de mala e cuia. Calgary é um lugar curioso, é chamada pelos íntimos de cowtown, cidade das vacas em uma tradução literal, termo usado para um lugar com fazendas em seus arredores, com um clima mais interiorano, talvez. Só para se ter ideia, o maior rodeio do mundo acontece aqui, então realmente é um lugar de Cowboys e Cowgirls. Mas pretendo contar mais da cidade e da vida aqui depois. Quero focar agora na experiência de se fazer as malas e sair do seu país, seja ele qual for.

Apesar de ser pouco tempo de experiência, já pude comprovar algumas impressões que tinha sobre a mudança para o exterior. O que acontece quando você faz as malas e embarca no avião com destino a um lugar completamente diferente do seu? Você morre. Isso mesmo, você morre. Eu morri quando vim.

Começa pelo fato de normalmente, nesse tipo d…

O Retrato Rasgado

As fotos de uma vida inteira podem caber no bolso da calça.

Temos pen-drive, celular, cartão de memória, tablet, notebook, computador e mais um zilhão de ferramentas para nos auxiliar nesse arquivo infinito enquanto dure. Infelizmente esse fenômeno da tecnologia colocou fim a um hábito comum a maioria das famílias: se reunir para ver fotos. A lembrança que tenho é de retirar do alto do armário caixas e mais caixas, leva-las até a sala para a visita do dia ou para nós mesmos, e começar a retirar um a um os álbuns que contavam a história da família. A cada mergulho no passado perdia-se horas olhando as imagens e comentando o quanto fulano era magro, siclano era cabeludo e assim por diante. O tempo em casa parava e, devagarinho, ia andando para trás. Hoje raramente dedico um tempo para organizar as minhas fotos e muito menos para revê-las. Tenho uma pasta no meu desktop e vou salvando tudo lá, de tempos em tempos, sempre que preciso esvaziar a memória do celular.

A tecnologia também nos …

O Fantasma de Vinte Anos

Todo dia ele faz tudo sempre igual.

Acorda às seis da manhã, desliga o despertador do celular, aproveita o aparelho nas mãos para olhar as últimas novidades das redes sociais, a previsão do tempo, o e-mail, e só depois de uns dez minutos é que se vira para o lado, dá um beijo na esposa que levanta as oito e ainda está dormindo, e se ergue da cama. Afinal, não tem escolha.

Vai até o closet, separa cueca, meia, calça e camisa e deixa cada peça, uma sobre a outra, lhe esperando. Entra no banheiro. Primeiro liga o chuveiro e só depois tira o pijama, dá o tempo certo de a água esquentar. No banho, sempre a mesma sequência. Primeiro o cabelo – o pouco que lhe restou já está grisalho, muito diferente da cabeleira farta dos seus vinte anos – sempre pensa nisso enquanto esfrega os poucos fios com as pontas dos dedos. Por último os pés. Desliga o chuveiro e sai. Seca o corpo começando pela cabeça, que já está no escritório. Será que responderam aquele e-mail? Será que fulano finalizou a planil…