Pular para o conteúdo principal

"Lula é bonito"


Lula voltou a criticar a imprensa. Ou melhor, criticou a liberdade excessiva condedida aos profissionais da imprensa. O que dá no mesmo. Afinal, imprensa e liberdade têm que andar juntas. Além disso, o presidente condenou a forma como são controlados os veículos de comunicação no Brasil. Segundo ele, poucas famílias são responsáveis por toda a mídia brasileira. Publicam o que querem. Inventam denúncias, criam escândalos e perturbam a vida de políticos. Essa imprensa é mesmo danada, Lula.

Em período de eleição, o desgaste é ainda maior. Qualquer notícia pode abalar a campanha de um ou outro candidato. É preciso ficar atento. Esses jornalistas são mesmo pirados, Lula.

Já falei aqui sobre aquela história do mensageiro que, diante de uma má notícia, era condenado à morte pelo Rei. Ou seja, acabando com o mensageiro, eliminava-se a notícia indesejada pelo Rei. É a filosofia de Lula. Lula é o Rei e a imprensa o mensageiro.

Não é em vão que o presidente faz esse tipo de acusação. Utiliza-se de seu alto índice de aprovação junto aos eleitores (80%) para blindar a sua candidata à presidência, Dilma Rousseff. Cria um confronto pelo benefício da dúvida. Alguns eleitores pensarão: afinal, Erenice Guerra cometeu mesmo algumas falcatruas enquanto ministra da Casa Civil ou foi tudo invenção da mídia? E o mensalão? E Zé Dirceu?

Ah, essa imprensa é mesmo absurda, Lula.

O presidente acha que seria mais fácil se a mídia assumisse que tem candidato, que apoia um partido. Segundo o presidente, as notícias plantadas todos os dias nos jornais têm um único objetivo: eleger um determinado candidato. Qual exatamente? Não sabemos. Mas Lula tem até um pouco de razão. A mídia briga sim por uma causa em comum: a ética na política.

PS. A capa de hoje do jornal Extra do Rio de Janeiro é genial. "Lula é bonito"; "Bonito, hein, Lula". Escolham à vontade, afinal, vivemos em uma democracia. Ou não?

Comentários

Postar um comentário

Deixe seu comentário

mais vistos

Saí do Brasil. E morri.

Estou morando no Canadá há quase um mês. Minha esposa foi aprovada em uma seleção para fazer seu doutorado na cidade de Calgary, a terceira maior do país, e resolvemos vir assim, de mala e cuia. Calgary é um lugar curioso, é chamada pelos íntimos de cowtown, cidade das vacas em uma tradução literal, termo usado para um lugar com fazendas em seus arredores, com um clima mais interiorano, talvez. Só para se ter ideia, o maior rodeio do mundo acontece aqui, então realmente é um lugar de Cowboys e Cowgirls. Mas pretendo contar mais da cidade e da vida aqui depois. Quero focar agora na experiência de se fazer as malas e sair do seu país, seja ele qual for.

Apesar de ser pouco tempo de experiência, já pude comprovar algumas impressões que tinha sobre a mudança para o exterior. O que acontece quando você faz as malas e embarca no avião com destino a um lugar completamente diferente do seu? Você morre. Isso mesmo, você morre. Eu morri quando vim.

Começa pelo fato de normalmente, nesse tipo d…

O Retrato Rasgado

As fotos de uma vida inteira podem caber no bolso da calça.

Temos pen-drive, celular, cartão de memória, tablet, notebook, computador e mais um zilhão de ferramentas para nos auxiliar nesse arquivo infinito enquanto dure. Infelizmente esse fenômeno da tecnologia colocou fim a um hábito comum a maioria das famílias: se reunir para ver fotos. A lembrança que tenho é de retirar do alto do armário caixas e mais caixas, leva-las até a sala para a visita do dia ou para nós mesmos, e começar a retirar um a um os álbuns que contavam a história da família. A cada mergulho no passado perdia-se horas olhando as imagens e comentando o quanto fulano era magro, siclano era cabeludo e assim por diante. O tempo em casa parava e, devagarinho, ia andando para trás. Hoje raramente dedico um tempo para organizar as minhas fotos e muito menos para revê-las. Tenho uma pasta no meu desktop e vou salvando tudo lá, de tempos em tempos, sempre que preciso esvaziar a memória do celular.

A tecnologia também nos …

O Fantasma de Vinte Anos

Todo dia ele faz tudo sempre igual.

Acorda às seis da manhã, desliga o despertador do celular, aproveita o aparelho nas mãos para olhar as últimas novidades das redes sociais, a previsão do tempo, o e-mail, e só depois de uns dez minutos é que se vira para o lado, dá um beijo na esposa que levanta as oito e ainda está dormindo, e se ergue da cama. Afinal, não tem escolha.

Vai até o closet, separa cueca, meia, calça e camisa e deixa cada peça, uma sobre a outra, lhe esperando. Entra no banheiro. Primeiro liga o chuveiro e só depois tira o pijama, dá o tempo certo de a água esquentar. No banho, sempre a mesma sequência. Primeiro o cabelo – o pouco que lhe restou já está grisalho, muito diferente da cabeleira farta dos seus vinte anos – sempre pensa nisso enquanto esfrega os poucos fios com as pontas dos dedos. Por último os pés. Desliga o chuveiro e sai. Seca o corpo começando pela cabeça, que já está no escritório. Será que responderam aquele e-mail? Será que fulano finalizou a planil…