Pular para o conteúdo principal

As últimas regalias


2011 começou, o Brasil mudou, mas Lula continua o mesmo.

Depois dos oito anos que precisou para tirar o Brasil da miséria, o messias do nordeste nos cobrou a conta. E até que ficou barato. Férias no Guarujá com toda a família, hospedado na base militar do Forte dos Andradas. Foi convite do camarada Nelson Jobim, ministro da defesa. Caso contrário, o ex-presidente nem poderia ficar hospedado lá. Jobim é mesmo um bom companheiro.

E o passaporte diplomático emitido a dois filhos de Lula? Isso no seu penúltimo dia útil como presidente. Foram os camaradas do Itamaraty, afinal como negar um pedido do Jesus Cristo do ABC? O detalhe é que o documento pode ser emitido a dependentes de autoridades até os 21 anos (24, quando estudante, ou em qualquer idade quando portadores de deficiência).

Luís Cláudio Lula da Silva tem 25 anos. Marcos Cláudio Lula da Silva, 39. E ambos gozam de perfeita saúde. Mas e daí? O Brasil apenas está pagando o que deve ao homem que mostrou que é possível ser pobre e viver com dignidade. E que mais vale aprender na escola da vida do que nos livros. Grande Lula. É só uma lembrancinha, não repara.

Agora, os filhos do messias de Garanhuns poderão viajar livremente pelos países com os quais o Brasil tem relação diplomática sem enfrentar aquela burocracia chata e irritante. Não precisarão de vistos nem terão que pagar os 190 reais que custa um passaporte. O Brasil enfim começa a se tornar um país justo.

Para encerrar, a grande homenagem. A Petrobras anunciou no fim de 2010 que o campo de Tupi, na bacia de Santos, passará a se chamar campo de Lula. Corretíssimo. Lula é muito maior que os índios Tupi, é maior que a própria história do Brasil. Ele redescobriu o Brasil. Nada mais justo, portanto.

Acho até que o Banco do Brasil deveria se chamar Banco do Lula. Talvez aí sim o presente estaria à sua altura. Mas não repara, é mesmo só uma lembrança.

Comentários

mais vistos

Saí do Brasil. E morri.

Estou morando no Canadá há quase um mês. Minha esposa foi aprovada em uma seleção para fazer seu doutorado na cidade de Calgary, a terceira maior do país, e resolvemos vir assim, de mala e cuia. Calgary é um lugar curioso, é chamada pelos íntimos de cowtown, cidade das vacas em uma tradução literal, termo usado para um lugar com fazendas em seus arredores, com um clima mais interiorano, talvez. Só para se ter ideia, o maior rodeio do mundo acontece aqui, então realmente é um lugar de Cowboys e Cowgirls. Mas pretendo contar mais da cidade e da vida aqui depois. Quero focar agora na experiência de se fazer as malas e sair do seu país, seja ele qual for.

Apesar de ser pouco tempo de experiência, já pude comprovar algumas impressões que tinha sobre a mudança para o exterior. O que acontece quando você faz as malas e embarca no avião com destino a um lugar completamente diferente do seu? Você morre. Isso mesmo, você morre. Eu morri quando vim.

Começa pelo fato de normalmente, nesse tipo d…

O Retrato Rasgado

As fotos de uma vida inteira podem caber no bolso da calça.

Temos pen-drive, celular, cartão de memória, tablet, notebook, computador e mais um zilhão de ferramentas para nos auxiliar nesse arquivo infinito enquanto dure. Infelizmente esse fenômeno da tecnologia colocou fim a um hábito comum a maioria das famílias: se reunir para ver fotos. A lembrança que tenho é de retirar do alto do armário caixas e mais caixas, leva-las até a sala para a visita do dia ou para nós mesmos, e começar a retirar um a um os álbuns que contavam a história da família. A cada mergulho no passado perdia-se horas olhando as imagens e comentando o quanto fulano era magro, siclano era cabeludo e assim por diante. O tempo em casa parava e, devagarinho, ia andando para trás. Hoje raramente dedico um tempo para organizar as minhas fotos e muito menos para revê-las. Tenho uma pasta no meu desktop e vou salvando tudo lá, de tempos em tempos, sempre que preciso esvaziar a memória do celular.

A tecnologia também nos …

O Fantasma de Vinte Anos

Todo dia ele faz tudo sempre igual.

Acorda às seis da manhã, desliga o despertador do celular, aproveita o aparelho nas mãos para olhar as últimas novidades das redes sociais, a previsão do tempo, o e-mail, e só depois de uns dez minutos é que se vira para o lado, dá um beijo na esposa que levanta as oito e ainda está dormindo, e se ergue da cama. Afinal, não tem escolha.

Vai até o closet, separa cueca, meia, calça e camisa e deixa cada peça, uma sobre a outra, lhe esperando. Entra no banheiro. Primeiro liga o chuveiro e só depois tira o pijama, dá o tempo certo de a água esquentar. No banho, sempre a mesma sequência. Primeiro o cabelo – o pouco que lhe restou já está grisalho, muito diferente da cabeleira farta dos seus vinte anos – sempre pensa nisso enquanto esfrega os poucos fios com as pontas dos dedos. Por último os pés. Desliga o chuveiro e sai. Seca o corpo começando pela cabeça, que já está no escritório. Será que responderam aquele e-mail? Será que fulano finalizou a planil…