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Seu filho, Seu fã

Sempre me referi ao meu pai como “o melhor do mundo”. Aliás, toda criança sempre homenageou seu pai dizendo que entre todos os pais do universo ele era o melhor. Informação cujo único embasamento científico era o próprio sentimento. Mas quem se importa? A nossa certeza é a que vale.

Neste dia dos pais repito o que disse em todos os outros, acrescentando as razões. Publico aqui a minha própria pesquisa científica.

Meu pai é o melhor do mundo porque antes de ser homem ele é pai. Antes de ser um executivo com a agenda lotada ele é pai. Antes de ser filho ele é pai.

A missão dele na Terra é esta: plantar amor e colher miniaturas de si mesmo.

Meu pai é o melhor do mundo porque quando eu quis ser artista ele aprovou. Quando quis ser jornalista ele vibrou. Quando eu não quis ser nada ele apoiou. Minha felicidade é o orgulho dele. Meu sorriso é a tranquilidade de ter dado certo.

Meu pai é o melhor do mundo porque me enxergo nele. Quando atendo o telefone e do outro lado da linha alguém pergunta: alô, Givaldo?

Ou quando ele atende e a pessoa já engata: seguinte, Felipe...

Me vejo nele quando entro na loja de discos e saio de lá deixando todas minhas economias.

Tenho em mim o mesmo gosto musical
Tenho em mim o mesmo jeito de andar
Tenho em mim a mesma mania de ser irônico nas horas mais impróprias
Tenho em mim o mesmo desapego ao dinheiro e o mesmo apego pelo amor
Tenho em mim o mesmo sangue quente que faz virar a mesa
Tenho em mim a mesma vontade de cantar

Meu pai é o melhor do mundo porque ele insiste em pegar o jornal antes de mim, mas depois de ler, me entrega mostrando alguma reportagem que vale a pena. A ansiedade na verdade é excesso de cuidado. É o meu editor particular.

Meu pai é o melhor do mundo porque na tempestade ele é o guarda-chuva. No mar agitado é o colete salva-vidas. Na turbulência é a mão que tranquiliza.

Meu pai é o melhor do mundo porque é o melhor amigo que alguém poderia ter.

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